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Meu problema com Johnny Depp

Eu tenho um problema com Johnny Depp. Eu posso estar redondamente errada em tudo que eu disser ao longo dessa postagem mas, eu não acho que o Johnny Depp seja nem metade disso tudo que falam.

Não vou dizer que é um mau ator, não é isso que eu penso. Só acho que as pessoas exageram. As pessoas pesam na mão. Eu poderia listar pelo menos vinte atores melhores que ele, pelo menos vinte filmes melhores que os que ele atua, vinte homens mais bonitos. E vinte é genérico, pode ser que seja mais.

Eu nunca vi nada de mais no Depp, só que a apelação, principalmente na época do frenesi de Piratas do Caribe, que fazem em cima do nome dele, enche muito o meu saco, faz com que eu fique até mesmo irritada com ele. Para fugir um pouco à implicância, listo aqui 3 lixos do Johnny Depp e explico o meu problema.

1 – Willy Wonka em A Fantástica Fábrica de Chocolate

Eu cresci assistindo esse filme, a versão antiga. Quando eu fui ver o remake fiquei com aquela sensação estranha de sonhos quebrados, tipo quando você vai num show de uma banda que adora e o pessoal manda playback.

O Willy Wonka do Depp é grosseiro, rude. O do Gene Wilder é apenas irônico. As costas do Depp são curvadas pra trás, como se o Sr. Wonka se sentisse muito imponente. Nada a ver. E ele fica fazendo aquele biquinho irritante para falar, acho chato. Sem contar o figurino… Pesaram na mão. Again.

Tem muita coisa nesse filme que me chateia, boa parte não é ligada ao Johnny Depp, reconheço. Erraram muito na escolha dos atores infantis, cagaram em muitos efeitos e, o mais importante de tudo, destruíram o que uma geração construiu com tanto zelo: a imagem dos Oompa Loompas. Foi falta de respeito.

Não se fazem mais Oompa Loompas como antigamente.

Não se fazem mais Oompa Loompas como antigamente.

2 – Jack Sparrow em Piratas do Caribe

Eu odeio piratas, odeio ainda mais o Jack Sparrow. De novo aquele biquinho chato, os trejeitos meio The Sims (duros, sabe?) e um sarcasmo que, não, oh, não, não é gostoso.

Eu odeio Piratas do Caribe e perco o respeito por qualquer pessoa que aceite fazer um filme desses. No caso da Keira Knightley eu já nunca tive respeito mesmo, então tanto faz…

Eu odeio piratas.

3 – Ichabod Crane em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça

Não sou chegada em filme desses estilinho, são cansativos. Tim Burton que me perdoe, mas poderia ter passado sem esse. Sem ressentimentos.

Acontece que mais chato que esse filme é o Johnny Depp nele. Sem graça, a mesma feição o filme todo e naquela linha Leonardo DiCaprio de ser: não convence.

Mas, ok. Por mais que eu não veja genialidade e brilhatismo no Johnny Depp, eu gosto de todos os outros filmes que ele. Os que eu já vi, claro. Tem O Libertino, Sweeney Tood, Medo e Delírio e tudo mais. Vale lembrar da Noiva Cadáver também. Só que nenhum desses filmes me faz lembrar dele como o grande ator da história da humanidade. Só houve um filme dele que me deixou impressionada com a atuação e foi Janela Secreta. Mort Rainey foi um dos heróis da minha adolescência e o Depp me surpreendeu sem aquele exagero de caras, bocas, biquinhos e sobrancelhas arqueadas. Parecia perturbado de verdade.

Mort Rainey sou eu amanhã.

Bom, é isso. Parem de idolatrar Johnny Depp e lembrem-se que na vida também há Edward Norton, Benício del Toro, Sean Penn e Ewan McGregor para serem aclamados.

Johnny Depp tem quase 47 anos, não namora Tim Burton e não é o homem mais bonito do mundo.

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Michael Cera smells like Christmas

Michael Cera é um dos atores mais brilhantes da nova geração, falo isso com toda certeza que possuo. É porque eu acho que todo o papel que o Michael Cera faz, ele é o Michael Cera. Ou pelo menos ele desenvolveu um Michael Cera que aflora por de trás dos personagens. E isso não é ruim. Tem muito ator por aí que parece viver um só personagem em todos os filmes que faz, mas não é o que acontece com o Mike. É que todo garoto que ele vive tem o mesmo pulso, a mesma confusão e as mesmas convicções. Parece que ele montou um esqueleto de características, que devem ser do próprio Cera, e vai trocando apenas a pele. Talvez ninguém note isso, nem ele. Eu noto.

Engraçado é ver o Michael interpretando ele mesmo. Em Paper Heart, um filme de 2009, ele realmente vive Michael Cera. Ao lado de vários atores e pessoas aleatórias da vida real, Charlyne Yi, a feínha, produz um “documentário” sobre o amor. Acontece que esse filme virou um documentário híbrido, como a própria equipe definiu. A Charlyne vive ela mesma, assim como o Mike. Na busca de entender porque nunca se apaixona, ela acaba conhecendo Cera e aí nasce um pseudo-namoro, que de tão verdadeiro chega a ser bonito. E foi genial. Os dois trabalharam em cima da especulação de serem namorados, brincaram com a realidade e a ficção e mesclaram depoimentos reais com cenas ensaiadas – que pensamos ser ensaiadas.

Só que o mais legal de Paper Heart não é a fusão da realidade com o faz de conta, nem o fato de Charlyne ser bem esquisitinha. É a forma como trata o amor. Não há apelo sexual e muito menos uma forçação de barra para que a gente entenda que “o amor está onde menos se espera. Charlyne não ama Mike. Ela apenas se permite. É um filme muito bom pra quem anda meio descrente nas relações humanas, nos filmes adolescentes e nos meninos canadenses.

Só para ver como vale a pena, esse vídeo aqui embaixo é da Charlyne Yi, que também faz a cantora, numa cena do filme. O que ela diz antes da música “Magic Perfume” é o trecho mais bacana. Em resumo: “Na verdade eu não acho que ele tenha cheiro do Natal, eu só disse isso porque ele faz com que eu me sinta bem”.

Michael Cera tem quase 22 anos, é canadense, e achou difícil dar vida a si mesmo no cinema.

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